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13 de mai. de 2012

Encomenda de viagem

Fonte: http://www.college-jeannedarc.com/Europe/College-voyages.html

Atire a primeira pedra quem nunca fez a sua!


Eu mesma, quando tenho visitas do Brasil, peço coisas (90% comida), ou vou se visitar alguém, sempre fecho a mala com pedidos de amigos. Eu confesso que ri sozinha varias vezes escrevendo esse post, pois me lembrei de várias encomendas que recebi e as historias e aventuras que me renderam. Dependendo do que é, ainda acabo comprando pra mim!

O que me chamou a atenção ao consultar pessoas que costumam viajar com uma certa freqüência, e portanto, recebem mais pedidos, é que os amigos mais próximos e familiares pedem coisas que são fáceis de achar, que nunca te tirariam do caminho e na hora da entrega, são super gentis e eternamente agradecidos.

Em compensação, os semi-conhecidos são os que mais surpreendem e depois do pedido/entrega você nunca mais ouve falar da criatura.

Vejam só pela minha experiência:

Câmera Fotográfica (daquelas grandes profissionais) e ainda um Laptop (cheio de especificações) – Professora da faculdade me sugeriu comprar e mandar pelo correio, detalhe: o filho já morava fora do Brasil há anos!

Equipamento odontológico, aquelas máquinas grandes de consultório – Dentista do plano de saúde sugeriu que meu marido (!) trouxesse para não ter que pagar os impostos. Foi minha primeira e ultima consulta.

Trinta (30!) caixas de remédios restritos – Conhecido do amigo do trabalho. Assim fica difícil de ser boa samaritana.

Em geral, se o artefato só tem fora do Brasil mesmo, quem traz entende que esse tipo de encomenda é aceitável.

Aos que pedem, fiquem atentos aos mandamentos do bom senso:

• O item pode ser encontrado no Duty-Free dos aeroportos? Esse pode pedir, afinal para que servem as três horas de espera entre check-in e embarque?

• Peça somente se for muito próximo da pessoa, pois se a resposta for “não” por qualquer motivo que seja, não fica ressentimento entre as partes;

• Dinheiro em espécie e foto: Entregue ao viajante ANTES dele ir, afinal, apesar de separar dinheiro para viajar, nem todo mundo tem fluxo em caixa para bancar essas coisas e memória boa para lembrar-se dos detalhes do produto no meio do passeio;

• O preço entre a internet e loja podem variar, portanto, entregue um dinheiro a mais. Se for mais barato, ótimo, o troco volta ou vira uma gentileza para a pessoa que lhe fez essa cortesia.

• A carga tributaria nos EUA difere de Estado a Estado, portanto, o preço de Miami possivelmente será menor que o NY por exemplo. Mais um motivo para não dar o dinheiro “na continha”.

• Se for maior que uma caixa de sapato: pense bem, ou melhor, não peça.

• Se chegar quebrado ou a mala for extraviada. Essas coisas acontecem. Já tive conhecidos que tiveram suas malas revistadas e perfumes retirados da caixa (pasme), e eu mesma já tive mala extraviada. Tem que pagar a encomenda do mesmo jeito, afinal isso ta fora do controle do viajante e não vale dar prejuízo para quem está tentando ajudar.

• Mandar entregar na casa ou no hotel de quem vai trazer. De novo, somente para pessoas muito próximas e com antecedência (as entregas podem atrasar dependendo do serviço de entrega escolhido).

• Esteja de prontidão para receber o produto, nem que isso signifique buscar e dar uma carona de volta do aeroporto. Quem parou a viagem para achar o que você queria merece sua plena disponibilidade, afinal isso não é Fedex / Sedex ou UPS.

Se você for fazer ou aceitar encomendas, fique atento itens mais pedidos (não necessariamente nessa ordem):

1. Cosméticos e Maquiagem: Não vale dar a marca e dizer que pode “qualquer coisa, eu gosto de tudo”. Peça com detalhes, numeração da cor do creme e coloque alternativas. Foto do produto é melhor ainda.

2. Perfumes: Não vá por marcas e lançamentos somente, vá ao shopping e faça um teste na sua pele antes de pedir, e lembre-se de que dependendo do tamanho do frasquinho o preço dá um saltinho.

3. Roupas: A numeração americana é diferente, especialmente para jeans (cintura x altura, ao invés do tradicional manequim 38, 40, 42, etc), só peça se não for fazer cara feia quando o tamanho não servir perfeitamente.

4. Remédios: é legal ter receita médica traduzida carimbada pelo médico com a cópia da identidade do paciente. Levar remédio restrito e sem receita na mala pode ser chamado de outro nome pela policia da imigração. Aqui não vale pedir estoque de 6 meses a um ano.

5. Produtos para cabelo: Tem que ter a marca e alternativas similares, tipo de cabelo e avisar a quem pede para não esperar o tamanho de 1 litro (que vende nos salões).

6. Livros raros e pesados: Hoje em dia a Amazon.com vende todo tipo de livro e entrega no mundo inteiro. Sem mais.

7. Eletrônicos: Se as pessoas podem comprar em parcelas e com garantia no Brasil, porque estourar a sua cota? Já reparou no tamanho da caixa? E se vier com defeito de fabrica? Normalmente vira a sua “mala” de mão. Produtos Apple com especificação demais tem de ser encomendados antecipadamente, pois na própria loja às vezes não tem estoque, nesse caso é bom checar antes.

8. Bebidas alcoólicas: Aceite se for comprar no Duty Free. Hoje em dia, o “encomendante” pode já reservar pela internet e você só tem de ir buscar.

9. Tênis: Ocupam espaço demais na mala e nem sempre o modelo que tem disponível na Internet é o que você vai encontrar na loja. Se for aceitar, já avisa que comprará o mais parecido. Outra dica aqui é a questão da forma do pé. Se a pessoa pedir uma marca e não tiver o numero, não arrisque comprar outra, pois os tamanhos de forma variam demais.

10. Qualquer tipo de Spray: Se a mala vai armazenada em uma cabine pressurizada imagine se o liquido vazar e “comer” suas roupas? Fica a dica, ou não aceita ou envolva em 3 sacos plásticos.

11. Equipamentos de esporte & instrumentos musicais: Só aceite se for miniatura (estilo chaveiro) ou se entender do assunto. Companhias aéreas têm restrições diferentes entre si para transportá-los e normalmente valem como um volume, ou seja, valem como uma bagagem para despachar. É bom olhar esses detalhes junto com quem pede e se for o caso já pegar o $$ do excesso adiantado.

12. Roupa de cama: Não precisa dizer que o tamanho de um conjunto de edredom (de algodão egípcio e penas de ganso!) não é exatamente o ideal para caber na mala compartilhada com roupas, mas se não quiser dizer não, ofereça trazer um (1) travesseiro e avise que você já vai fazer o test-drive no avião.

13. Facas de cozinha: As coloridas de cerâmica que são caríssimas no Brasil – Hello, 11 de Setembro te diz alguma coisa? Evite trazer qualquer tipo de objeto pontiagudo na sua mala. Ainda que despachada, explicar que “focinho de porco, não é tomada” em terras estrangeiras não é tão simples assim...

14. Coisinhas para o chá do bebe: Concordo que os brinquedos da fisher-price são caros mesmo no Brasil, mas daí pedir aqueles brinquedos que são do tamanho da própria mala, cadeirinha para o carro, carrinho de neném já dificulta a vida de quem quer presentear a criança. Melhor esperar alguém oferecer (e que não seja notadamente por educação) ou comprar na Amazon.com.

Se você é daqueles que vivem quebrando a cabeça para arranjar uma desculpa camarada e que não ofenda ninguém, eu fiz uma enquete e escutei as seguintes sugestões de amigos:
  • Cobre um frete adiantado.
  •  Não anuncie que vá viajar.
  •  “Procurei e não achei.” E o pior que às vezes você procura com a maior boa vontade e não acha mesmo!
  •  Diga: “Minha cota já vai estourar com o que eu vou trazer.”
  •  Achei na loja, mas tava bem acima do valor que me foi entregue e eu não tinha $$ para completar.
  • Eu só vou com uma mala de mão. Isso acontece sempre quando se esta viajando a trabalho.
  • Diga não e pronto. Afinal dizer não para outro é dizer sim para si e vice-versa.

Tem uma história engraçada ou e uma desculpa infalível? Comente aqui!